sexta-feira, 18 de outubro de 2019

GABARITO DA ATIVIDADE 9 - ESPAÇO PÚBLICO


Questões baseadas no texto:
BORJA, Jordi. Espaço público, condição da cidade democrática: a criação de um lugar de intercâmbio. Obtido em: https://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.072/353
ATENÇÃO: As respostas são apenas orientativas para fins de avaliação.

1. Explique a afirmação de que o elemento central do urbanismo de nossa época é o urbanismo entendido como o fazer da cidade um lugar de intercâmbio.

A cidade abriga multidões, mas sem os espaços públicos os indivíduos ficariam isolados uns dos outros. A sociedade pressupõe convivência, troca de informações, produtos e projetos, o prazer dos encontros pessoais nas ruas, praças, bares, restaurantes e outros locais, em ambientes descontraídos, apropriados ao lazer e à diversão. Portanto, o urbanismo deve promover o intercâmbio, projetando espaços públicos em quantidade e qualidade, porque isto é o elemento central da qualidade de vida urbana.
2. O que seriam o processo de apropriação privada da cidade e o processo de apropriação social da cidade?
Grosso modo, o espaço urbano é constituído de espaços públicos e privados. A apropriação privada é aquela que limita o uso do espaço a proprietários, particulares ou não, os quais impedem o acesso ao público em geral ou o restringem para explorá-lo economicamente. O espaço torna-se, então, privativo para determinados indivíduos ou instituições. 
A apropriação social é a criação de áreas de uso público dentro do espaço, para que todos possam usufruir sem restrições. 
3. Por que, na visão do autor, estariam ocorrendo dinâmicas que negam o processo social democrático da cidade através do espaço público?
Para o autor, existem espaços que teoricamente são públicos, mas que na prática o seu uso não é democrático, porque são destinados àqueles que têm privilégio de uso. Ele dá como exemplo as vias de circulação de veículos, que favorecem àqueles que têm carro particular. As ruas e avenidas são alargadas, tomando o espaço das calçadas, e praças são destruídas para a construção de viadutos. Embora isto não seja privatização do espaço, é um processo que vai contra o uso democrático, porque não atende a toda a população, sem restrições.
4. Descreva dois critérios que o autor estabelece sobre a atividade econômica no espaço público.
Primeiro critério: As cidades nasceram como centro de comércio, que ainda hoje é a função que transforma o espaço urbano em um local vibrante. As atividades econômicas devem ser estimuladas, porque elas geram riqueza e tornam a cidade mais dinâmicas. 
Segundo critério: Favorecer a integração do comércio às concepções urbanísticas e cuidar especialmente do que o autor chama de gestão dos primeiros andares, isto é, os locais que fazem frente ao espaço público, garantindo segurança das pessoas que ali vivem e transitam, porque sem isso não haverá animação urbana. Muitas pessoas desistem de sair, de passear nos locais públicos, porque se tornaram perigosos.
5. Reflita sobre a afirmação do autor: “quando se atue na cidade existente, também é preciso ter um grande respeito pela história.” Então, pense na cidade em que você mora e descreva o que se encontra na história de sua cidade que deve ser respeitado pelos urbanistas.
A identidade de um povo tem relação com sua história; o mesmo vale dizer para uma cidade. A história de uma cidade constitui-se eventos marcantes, monumentos, paisagens, culturas etc. e tudo isso interagindo ao longo do tempo. Daí se estabelecem os valores, que mudam com as gerações, mas que precisam ser compreendidos e respeitados pelas gerações mais novas, buscando preservá-los o quanto possível. Essa história deixa marcas que às vezes são o que de mais belo a cidade pode exibir, e que a tornam atrativa e dinâmica. Por exemplo, o que diferencia Paracatu das outras cidades da região é a existência de um Núcleo Histórico e de uma gastronomia representada pelas quitandas cujo modo de fazer remonta ao ciclo do ouro. Essas marcas podem ser base de atividade turística. Entretanto, grande parte do Núcleo Histórico foi desfigurado por intervenções urbanas que não levaram em conta essa história, como o asfaltamento que cobriu as ruas calçadas de pedra e a demolição de casas antigas para facilitar o trânsito de veículos.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

PLANEJAMENTO URBANO

O planejamento da cidade é e deve ser entendido como um processo de construção coletiva, e não somente como o ordenamento do espaço físico-territorial.

O fenômeno urbano é dinâmico, o que leva a encarar a cidade como resultado de sua própria história e como algo que está, de alguma maneira, evoluindo no tempo. Portanto, a cidade passa a ser vista como o produto de um determinado contexto histórico, e não mais como um modelo ideal a ser concebido pelos urbanistas (KOHLSDORF, 1985).

Isso leva à mudança de foco do planejamento: a ênfase passa da busca pelo modelo de cidade ideal e universal para a solução de problemas práticos, concretos, buscando estabelecer mecanismos de controle dos processos urbanos ao longo do tempo. Isto é, a cidade real passa a ser o foco, ao invés da cidade ideal.

Outra mudança importante é a entrada em cena de profissionais de diversas áreas do conhecimento, cada um com a sua visão sobre os problemas da cidade. Dessa forma, houve uma redução no papel do arquiteto no desenvolvimento das cidades. A partir daí, esse papel, que até então era preponderante, foi reduzido a apenas uma parte do processo como um todo.

Kohlsdorf (1985, p. 35) argumenta que ao receber a colaboração de sociólogos, historiadores, economistas, juristas, geógrafos, psicólogos etc., a definição de cidade realizada pela arquitetura entrou, talvez, na maior crise de toda a história desta última.

Planejamento urbano sistêmico

Dentro dessa nova concepção, o planejamento pode ser definido como o processo de escolher um conjunto de ações consideradas as mais adequadas para conduzir a situação atual na direção dos objetivos desejados.

Essa visão contrasta com a concepção mais tradicional, segundo a qual o urbanista deveria “projetar” a cidade. Mas essa mudança somente se consolidou com o advento do planejamento sistêmico.

Brian McLoughlin, em seu clássico livro “Urban & regional planning: a systems approach” (1969), lança as bases do planejamento sistêmico. Segundo ele, a cidade é um sistema composto por partes (atividades humanas e os espaços que as suportam) intimamente conectadas (fluxos e canais de circulação). Para intervir nesse sistema não é mais suficiente o enfoque espacial dos arquitetos, dominante até então. Ao contrário, é necessário reconhecer o caráter dinâmico e sistêmico das cidades.

O processo de planejamento, portanto, passa a ser visto como cíclico, no qual os resultados alcançados pelas ações passam a servir de objeto de análise, que gera retroalimentações para as outras fases do processo.

Etapas do planejamento urbano sistêmico

As etapas prescritas por McLoughlin são: avaliação preliminar; formulação dos objetivos; descrição e simulação do sistema; definição de alternativas (cursos de ação); avaliação das alternativas; seleção das alternativas e implementação.

Avanços jurídicos e institucionais no planejamento urbano brasileiro

Todos os avanços jurídicos e institucionais estão alicerçados na Constituição Federal de 1988, a qual estabeleceu no Título VII, Capítulo II - Política Urbana (art. 182 e 183). Alterações foram introduzidas pela emenda popular nº 63 de 1987, que contou com 131 mil assinaturas. Em linhas gerais, a lei estabeleceu:
Poder Público Municipal – responsável pela política de desenvolvimento urbano.
Função Social da Cidade e da Propriedade – a propriedade cumpre sua função social quando atende às exigências expressas no Plano Diretor;
Plano Diretor – instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão urbana.

Princípios gerais do planejamento urbano

Normas e diretrizes foram consolidadas no Estatuto da Cidade. Suas principais características são:

      Função social da propriedade: o que faço no “meu terreno” é parte da cidade, portanto o que construo no “meu terreno” será definido pelo Plano Diretor por meio de seus instrumentos e de forma amplamente democrática.
      O Estatuto não define um conceito absoluto e universal de função social da propriedade, e delega isso ao Plano Diretor.
      Direito à cidade: as políticas públicas e os investimentos em desenvolvimento urbano devem reconhecer os direitos sociais.
      Governança democrática: deve ser institucionalizada e existir na prática das decisões sobre planos, projetos e investimentos em desenvolvimento urbano.
      Os investimentos públicos devem contemplar ações de  regularização fundiária, urbanização de assentamentos precários e construção de habitação de interesse social, e reabilitação de áreas urbanas.
      A regulação do uso do solo precisa combater a especulação imobiliária, controlar a expansão urbana, proteger áreas de interesse ambiental e cultural e reservar áreas para a habitação de interesse social em bairros urbanizados com empregos e serviços urbanos.
      O poder público municipal deve reconhecer os direitos sociais e prever ações voltadas à moradia digna: resguardar a população da exposição a riscos; propor a regularização fundiária sustentável e promover a urbanização integrada de assentamentos precários.

A importância dos espaços públicos

O modo como vivemos nas cidades se reconfigura a cada dia, mediante as transformações da sociedade e o surgimento de novas políticas, tecnologias e opções alternativas de transporte. A urbanização, o adensamento e as altas taxas de motorização lançam desafios de planejamento e instigam as cidades a pensarem novos modelos de desenvolvimento.

Em meio a transformações constantes, contudo, mantém-se intacta a importância dos espaços públicos para a qualidade de vida. Continuam a ser espaços de trocas, convivência, encontros. E continuam a ser vitais para o bem-estar no ambiente urbano. Para além das paredes que nos cercam, é na rua que a vida acontece.

Material consultado

BAIMA, Carolina. PLANEJAMENTO URBANO. Seminário. Secretaria Nacional de Acessibilidade e Programas Urbanos. Macaé, 26 de novembro de 2013.
BRASIL. Estatuto da Cidade. Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras providências.
KOHLSDORF, Maria Elaine (1985) Breve histórico do espaço urbano como campo disciplinar. In: FARRET, Ricardo L. O espaço da cidade. São Paulo: Ed. Projeto, 1985.
McLOUGHLIN, J. Brian (1969) Urban & regional planning: a systems approach. ISBN-10: 9780571090051.


FUNÇÃO SOCIAL DA ARQUITETURA E URBANISMO


Exceto raríssimas exceções, as cidades brasileiras expõem uma série de fatores degradantes do ambiente urbano, tais como: sujeira; trânsito caótico; concentração populacional demasiada; construções desordenadas; diversos tipos de poluição em todas as suas dimensões; ausência de elementos naturais como solo permeável, água e vegetação.
Entretanto,
“A cidade deve constituir uma estrutura de amparo à vida, levando em conta suas várias dimensões – habitação, comércio, serviços, transporte, lazer e trabalho.
A arquitetura, modificadora do espaço e da paisagem, deve atender social e esteticamente as necessidades humanas (Paulo Mendes da Rocha).
A função social consiste na prevalência do interesse público em relação ao interesse privado na prática de uma atividade. A arte, a ciência ou a arquitetura estarão cumprindo sua função social quando sua prática gerar resultados que contribuam para a construção do bem comum.” (Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)
“Os Arquitetos e Urbanistas exercem papel importante na formação das cidades e espaços construídos com acessibilidade, beleza, sustentabilidade, economia, segurança e conforto.
Neste processo de ordenamento de espaços úteis aos cidadãos, os arquitetos passam a assumir um papel muito importante, pois é preciso esclarecer que a Arquitetura serve às pessoas desde o berço ao túmulo, já que elas nascem em maternidades, moram em casas, estudam em escolas, se divertem em boates, frequentam restaurantes, veem peças no teatro, torcem nos estádios e assim, graças à Arquitetura, sempre têm os cenários corretos para as várias fases de suas vidas.” (Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná)
A função social da Arquitetura e do Urbanismo tem como princípio o conceito de sustentabilidade como preocupação com o legado ambiental a ser transmitido às futuras gerações, entendido como conjunto de ações que considerem a finitude dos recursos naturais ao mesmo tempo em que garanta o acesso às condições mínimas de vida para todas as pessoas de forma a viabilizar efetivamente a conquista da sustentabilidade.
“Portanto há indissociabilidade entre o que é social e o que é ambiental.
A função social afeta diretamente a arquitetura e o urbanismo justamente por ser o campo e a prática que trabalha mais diretamente o ambiente e o social, requerendo que o referido princípio seja pensado como indissociável à arquitetura e urbanismo e aplicado em todas suas ações.” (Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Paraná)
Existem várias questões que devem ser levadas em conta sobre projeto arquitetônico ou urbanístico, para o cumprimento da função social da arquitetura e urbanismo:
      Que papel terá um conjunto arquitetônico para a atividade prevista em relação ao contexto do local?
      Sob o aspecto do interesse público e de uma vivência pública do espaço, que transformações-modificações devem ocorrer a partir dessa intervenção?
      Que características urbanas e urbanísticas existentes devem ser privilegiadas para potencializar a relação do novo conjunto arquitetônico com o local escolhido?
      Deveriam ser feitas modificações nas leis e normas vigentes para melhorar o atendimento do interesse público no espaço?
      O projeto estimula atividades de convívio e interação? Essas atividades internas podem se relacionar com o espaço público?
      Qual o papel da intervenção arquitetônica na revitalização ou requalificação do local?
      Considerando-se o conceito de sustentabilidade como de interesse público, como a intervenção contribuirá na indissociabilidade entre o
      A Arquitetura não carece de grandes orçamentos ou tecnologias avançadas para servir ao ser humano, mas de criatividade, que possibilite fazer muito com pouco.
      Para a parcela com mais baixa renda da população, os arquitetos dispõem de todas as condições para criar moradias de qualidade.
Relativamente à posição que arquitetos e urbanistas ocupam na sociedade e, especificamente, o seu espaço de exercício profissional, os sindicatos da classe têm alertado sobre o distanciamento da maioria dos profissionais dos centros de discussão e de decisão em planejamento urbano. A pouca de participação de arquitetos e urbanistas, o seu encolhimento, leva à perda de espaço para outros profissionais mais atuantes, como engenheiros, por exemplo.
Eis aqui, algumas questões levantadas pelo arquiteto Ângelo Marcos Arruda, que podem servir de reflexão aos estudantes de arquitetura e urbanismo:
      O que está acontecendo de novo que o arquiteto tem que correr atrás de tantas e de novas informações?
      O que diferencia o Planejamento Ambiental do nosso Planejamento Urbano?
      Por que na composição das equipes técnicas para trabalhos de planejamento ambiental, um biólogo, zootecnista ou ecólogo tem, às vezes, mais importância, no conjunto, que os arquitetos e urbanistas?
      Quais os motivos que estão levando a sociedade a se preocupar tanto com as questões ambientais?
      Será que os arquitetos não estão preparados para essa nova onda global?
Para Ângelo Marcos, é necessário apropriar-se de uma linguagem nova na Arquitetura e no Urbanismo. O desconhecimento dela isola o arquiteto e urbanista dos demais profissionais e, também, do mercado de trabalho.
Essa é a nova linguagem que os arquitetos estão tendo que apreender para atuar no mais novo mercado de trabalho brasileiro e mundial, o do Planejamento Ambiental: desenvolvimento sustentável; plano de gestão ambiental; conservação de recursos naturais; ética ecológica; proteção dos recursos naturais; meio antrópico; ambiente natural; cenários ambientais; ecologia urbana; fontes renováveis; biomassa; licenciamento ambiental; EIA /RIMA.
A arquitetura e a questão ambiental
A reversão da alarmante crise ambiental contemporânea depende de reavaliar o papel da cidade e a participação de cada cidadão como polo decisivo na educação ambiental e na transformação de comportamentos.
Construções sustentáveis garantem o retorno financeiro do investimento em médio prazo e a economia dos custos operacionais do empreendimento.
Um dos desafios da arquitetura contemporânea é o de se valer dos conceitos de arquitetura sustentável e de “casa ecológica” adaptados ao ambiente urbano e às condições locais de disponibilidade de materiais e mão-de-obra.
Já é possível construir no Brasil casas e edifícios “ecológicos” com projetos personalizados, valendo-se de sistemas e materiais alternativos disponíveis no mercado da construção civil.
Não se trata de alta tecnologia, sofisticada e cara, mas sim de soluções técnicas simples e acessíveis articuladas em projetos de arquitetura que têm como premissa conceitos de ecologia urbana e de planejamento ambiental.

Contribuição da arquitetura sustentável
A construção civil é o setor que gera o maior impacto ambiental na zona urbana e, em consequência, o que mais prejudica a sustentabilidade ambiental. Princípios de sustentabilidade aplicados à arquitetura e urbanismo reduziriam drasticamente o esgotamento de recursos não renováveis, a produção de resíduos e os custos das obras, além de melhorarem as condições dos trabalhadores na construção civil e a qualidade do meio ambiente urbanístico.

Veja-se, no quadro abaixo, as reduções possíveis, com as tecnologias atuais, de se obter com a aplicação da arquitetura sustentável.



“A arquitetura residencial projetada com princípios ecológicos também significa economia para a municipalidade, porque é possível reduzir o volume de esgoto despejado no sistema coletivo em pelo menos 50%,  e contribuir com até 80% da área do terreno em área verde para a cidade, considerando soluções paisagísticas como tetos-jardim.” (ROZESTRATEN)
“Convém ressaltar a importante tarefa de consulta pública à comunidade local que o pesquisador e o planejador devem assumir ao executar um trabalho, pesquisa ou empreendimento que carreguem no seu bojo uma preocupação com a qualidade ambiental. (GOMES, Marcos A. e SOARES, Beatriz R.)”

Assista o video Habitar/Habitat: Casa Sustentável: https://www.youtube.com/watch?v=szpc6_t-CZo

Material extraído e modificado de:

ARRUDA, A. Marcos. O arquiteto e o planejamento ambiental e os riscos da falta de discussão. Obtido em http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/02.015/860.
Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. http://faeng.sites.ufms.br/graduacao/bacharelado/arquitetura-e-urbanismo/conceituacao-a-funcao-social-da-profissao-e-da-arquitetura-e-urbanismo/
GOMES, Marcos A. e SOARES, Beatriz R; Reflexões sobre qualidade ambiental urbana. Estudos Geográficos, Rio Claro, 2(2): 21-30 , jul-dez,  2004. http://www.cchla.ufrn.br/geoesp/arquivos/artigos/ArtigoAmbienteQualidadeAmbientalUrbana.pdf
Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas do Estado do Paraná. http://www.sindarqpr.org.br/a-funcao-social-do-arquiteto-e-do-urbanista/

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

CONTEÚDOS DA VERIFICAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 - VA 2

A VA 2, que será aplicada em 24 de outubro de 2019, abordará os seguintes conteúdos:



Dinâmica demográfica e relação sociedade-natureza.

Atividade 3 - Elementos da base urbana e Gestão das Cidades.

Atividade 4 - Dinâmica populacional urbanização e meio ambiente.

Estrutura do espaço e rede urbana.

Atividade 5 - O ambientalismo e suas correntes.

Habitação.

Exclusão social e movimentos sociais.

Atividade 6 - Movimentos sociais.

Pensamento ecossistêmico: Economia, natureza e sociedade. 

Atividade 7 - Ecossistema urbano.

Função social da arquitetura e do urbanismo: arquitetura ambiental. 

terça-feira, 8 de outubro de 2019

ATIVIDADE ORIENTADA 3


Título do trabalho: Roteiro ciclístico urbano (acrescentar o nome da cidade).

Tempo estimado de trabalho: 5 horas/aula.
Valor do trabalho: 3,0 pontos.
Tipo de trabalho: Em grupo..
Entrega do trabalho: Até o dia 04/novembro/2019, através do e-mail marciosantos@finom.edu.br. Os trabalhos entregues após essa data não serão avaliados.
OBJETIVO: Elaborar um pôster para o CONNIC descrevendo um roteiro para passeio ciclístico na zona urbana da cidade para difundir seus aspectos arquitetônicos, ambientais, sociais e paisagísticos
Normas:
O professor da disciplina estará à disposição dos alunos até o dia 02 de novembro para revisão do pôster a ser apresentado ao CONNIC. Após a revisão a ser feita pelo professor, este o enviará à coordenadora do curso.
As normas de elaboração do pôster estão expostas no link do CONNIC: http://connic.finom.com.br/trabalhos.
Os resumos devem seguir as normas descritas no site e só após o parecer da Comissão de Avaliação é que o mesmo estará apto ou não para o CONNIC.
Portanto haverá critérios: obedecer às normas de trabalhos científicos; seguir os padrões; não ter erros gramaticais e/ou ortográficos. A Comissão de Avaliação terá o poder de aprovar ou reprovar tanto os pôsteres, quanto os resumos.

CONTEÚDO DO TRABALHO
A Atividade Orientada 2 será base para a elaboração do pôster. Portanto, o grupo deverá revisar as orientações contidas na AO 2 e escolher um roteiro de comum acordo, quando houver mais de um participante.
GRUPOS
ParacatuDaiana, Larissa, Naiane, Samella e Zeni.
Unaí: Maria Elisa, Michelly e Hayandra.
Cristalina: Gabriela.
ATENÇÃO: Não se esqueça: esta é uma atividade orientada! Qualquer dúvida ou orientação adicional, contate o professor pelo e-mail marciosantos@finom.edu.br. O prazo de resposta é de 24 horas, exceto em finais de semana.




segunda-feira, 23 de setembro de 2019

GABARITO DA ATIVIDADE AVALIATIVA 7 - ECOSSISTEMA URBANO


Texto 1
Todos os seres vivos se agrupam em populações, formam comunidades distintas e se distribuem pela superfície terrestre e oceanos, em harmonia e equilíbrio dinâmico, mantendo uma relação com as condições do meio ambiente. Formam-se os mais complexos ecossistemas, cuja soma, denominamos de biosfera e fica a cargo da ecologia estudar as interrelações entre os organismos, seu meio físico e propor medidas para o desenvolvimento sustentável.
Muitos não consideram as cidades como ecossistemas verdadeiros, em razão da influência humana, o que tira a conotação de um ecossistema natural. No entanto, quando se define que um ecossistema é um conjunto de espécies que interagem entre si e com o meio, não podemos descartar que as cidades, repletas de organismos distintos, devem ser encaixadas nesta categoria.
Em um ecossistema urbano, a produtividade e a diversidade de espécies são dependentes de obtenção da energia. Nos ambientes naturais, em sua maioria, a principal fonte é a solar, e sua produção, para suprir as necessidades orgânicas de seus habitantes, relaciona-se com a quantidade de áreas verdes. Claro que, em relação a um ecossistema natural, as cidades possuem baixa quantidade dessas áreas e, consequentemente baixa produção de energia, o que obriga os residentes a importarem outras fontes, já que as plantas, grandes produtoras do combustível orgânico, que sustenta uma certa biomassa de consumidores, - com exceção das hortaliças - não são utilizadas para este fim, restando-lhes as funções de produzir oxigênio, refrescar o ambiente, absorver poluentes, servir de barreiras acústicas e estética. O uso da energia externa, no entanto, gera resíduos, que devem ser escoados ou reciclados e reutilizados.
O mosaico de paisagens, constituído nas cidades, favorece a formação de ilhas de biodiversidades, por conta do refúgio de aves e animais, vítimas da devastação, das queimadas criminosas, da insensatez humana. Adaptados, inteirados com o homem, livres de predadores, sem competidores e com fartura de alimentos, suas populações crescem exageradamente, causando transtornos. Aves, como os pardais e os pombos, passam a ter a conotação de pragas; os domesticados pelo homem - cães e gatos -, acabam sendo vítimas do próprio homem, que ignora a posse responsável. Dentre as espécies oportunistas, encaixam-se as baratas, formigas, cupins, traças, piolhos, carrapatos e mosquitos, que com seus curtos ciclos reprodutivos, causam incômodos permanentes, além de serem potenciais transmissores de doenças.
As atividades dos ocupantes urbanos geram microclimas especiais, já que a impermeabilização do solo, que substitui a vegetação, tem uma alta capacidade de absorver e irradiar calor. A água da chuva se escoa rapidamente, antes que a evaporação consiga esfriar o ar, enquanto que o calor gerado pelo metabolismo dos habitantes, associado àquele das indústrias, aquecem a massa de ar. Porém, este ar aquecido, poluído pelas atividades industriais, e das queimadas das adjacências, pode se comportar como uma cortina, um cobertor, que impede a entrada da luz solar e a saída do calor que é emitido pelo solo. Este aquecimento aprisionado é que dá origem ao efeito estufa.
Outros problemas ecológicos das grandes áreas urbanas referem-se ao aumento da densidade populacional, à construção desordenada, sem planejamento, sem infraestrutura, causadores da miséria, das doenças, da delinquência e da violência.
A manutenção da diversidade urbana é algo que deve ser respeitada, não somente em relação ao homem, mas, também, por consideração às demais espécies que com ele convivem. Para isso, é importante planejamento, sensatez e muito estudo sobre quais são e como se organizam todos os seres de uma urbe, dentro de um processo ecológico, de adequação ambiental.
Há que planejar sobre que tipo de ambiente elas necessitam e quais as medidas sérias que devem ser tomadas em relação às queimadas das adjacências, à poluição produzida pelos esgotos, à industrial, e, acima de tudo, a chance de sobrevivência dos pobres, das crianças desamparadas, dos animais abandonados, pois todos estão inseridos dentro da nossa sociedade, do nosso ecossistema, que deve ser salutar, de convívio harmonioso, pacífico entre seus habitantes.
Texto 2

Uma cidade é um ecossistema urbano composto de componentes biológicos (plantas, animais e outras formas de vida), componentes físicos (solo, água, ar, clima e topografia) e componentes antrópicos (o complexo físico, as populações humanas, suas características demográficas, suas estruturas institucionais e as ferramentas sociais e econômicas que empregam).
O complexo físico inclui edifícios, redes de transporte, superfícies modificadas (por exemplo, estacionamentos, telhados e paisagismo), e as alterações ambientais decorrentes da decisão humana. Os componentes antrópicos de ecossistemas urbanos também incluem o uso de energia e a importação, transformação e exportação de materiais.
Um ecossistema saudável depende do equilíbrio entre todos os membros do meio ambiente. Se algo afetar o equilíbrio, o ecossistema e todos os seres, vivos e não vivos, poderão sofrer consequências. Existe uma concentração de ozônio, em forma de gás na atmosfera que tem a função de proteger a Terra dos raios ultravioleta do Sol, nocivos à saúde dos seres humanos. Causas naturais, como as mudanças climáticas e os desastres naturais, podem mudar um ecossistema.
Entre as atividades humanas que são prejudiciais ao ecossistema estão a poluição, o desmatamento e a construção civil.
Algumas consequência das atividades humanas:
Chuva ácida: a chuva é água pura, sem gosto, sem cheiro e sem cor. Ela se torna ácida quando a água se mistura na atmosfera com os poluentes industriais e com os gases tóxicos dos automóveis, causando danos às plantações, florestas, rios, lagos, animais e também para o homem. Para combater a chuva ácida é necessária a redução da poluição do ar.
Efeito estufa: é o aquecimento da Terra devido à poluição do ar pela concentração de gás carbônico na atmosfera. Os raios de sol conseguem atravessar essa barreira até a superfície terrestre. Parte dos raios é absorvida e a outra parte é irradiada em forma de calor, que não consegue sair para a atmosfera devido à barreira de gás carbônico, causando o aumento da temperatura.

ATIVIDADE AVALIATIVA - GABARITO

Atenção: As respostas são apenas orientativas para fins de avaliação.

1.    Faça uma comparação entre o ecossistema natural e o ecossistema urbano.
Ambos necessitam de energia para o seu funcionamento; entretanto, o ecossistema natural utiliza a energia solar, através do processo de fotossíntese, e a quantidade de energia disponível é relacionada à quantidade de áreas verdes; porém, esse processo é insuficiente para o funcionamento do ecossistema urbano, onde a escassa presença de áreas verdes não é capaz de suprir o consumo energético de grande concentração humana, exigindo a importação de alimentos e combustíveis.
No ecossistema natural os resíduos produzidos pelo metabolismo os seres que ali vivem é reciclado e incorporado pelo próprio sistema; portanto, há um balanceamento entre produção, consumo, escoamento, reciclagem e incorporação de dejetos; isto não acontece no ecossistema urbano; porque o consumo de energia e escoamento de resíduos é muito elevado e não pode ser totalmente reciclado e incorporado dentro do ecossistema e precisa ser escoado para fora dele.
Quanto à biodiversidade, ela é muito maior no ecossistema natural. Por outro lado, o ecossistema urbano apresenta vários problemas ecológicos, como a formação de ilhas de calor, devido ao alto consumo energético, edificações e pavimentação do solo, e efeito estufa, devido à poluição do ar.

2.    No texto 1, a que o autor se refere quando fala de ilhas de biodiversidades?
A destruição da vegetação natural para aproveitamento do solo para agricultura e pecuária, além de queimadas, tem expulsado várias espécies de animais para o ecossistema urbano, onde elas se veem menos ameaçadas. Também existem os animais domesticados, como cães e gatos, muitos deles abandonados em via pública. Além disso, o acúmulo de resíduos não tratados, os esgotos e as precárias situações sanitárias fazem proliferar insetos e outras pragas urbanas. Tudo isso aumenta a diversidade do ecossistema urbano, muito além da simples concentração humana. (Por exemplo,  Randy Baldresca, especialista em pragas, estima que na cidade de São Paulo existam de 10 a 15 ratos por habitante - https://falauniversidades.com.br/invasao-ratos-sao-paulo/).

3.    Analise a afirmação: “As atividades dos ocupantes urbanos geram microclimas especiais”.
Os microclimas especiais nas zonas urbanas estão relacionados ao alto consumo energético; à poluição do ar pela queima de combustíveis fósseis que expele CO2; à impermeabilização do solo, que aumenta a absorção de calor e impede a infiltração das águas; às edificações que, além de aumentarem o aquecimento da atmosfera pela reflexão da luz solar, dificultam a circulação do ar. A poluição, resultante de gases poluentes industriais e dos automóveis,  mistura-se com a água de chuva na atmosfera,  gerando chuva ácida. A formação de ilhas de calor combina-se com o efeito da poluição, aumentando o efeito estufa. (Observação: o efeito estufa é um fenômeno natural, que basicamente mantém a superfície do planeta aquecida, sem o que, por exemplo, não existiria a espécie humana; as atividades humanas estão aumentando o efeito estufa,  aumentando a temperatura na superfície da Terra, o que provoca mudanças climáticas, extinção de espécies, doenças respiratórias etc.)

4.    Reflita sobre a sua cidade e enquadre o que seria a sua biodiversidade urbana.
De maneira geral, na região em que nos encontramos (Planalto Central) a biodiversidade urbana, além da presença humana, é formada por animais de estimação, animais expulsos das áreas rurais pela destruição de seus habitats (pássaros como sabiás, tucanos, pombas silvestres, canários, periquitos e outros), pássaros há muito adaptados às zonas urbanas, como pardais e pombos; pequenos animais, como lagartixas e gambás; pragas urbanas, as quais incluem ratos, baratas, formigas, cupins, escorpiões, moscas, mosquitos, pulgas, carrapatos e outros.

5.    Considerando os componentes do ecossistema urbano, em qual deles se encaixaria a atividade do arquiteto? Por quê?
A atividade do arquiteto é principalmente voltada para o componente físico do ecossistema urbano, como sejam a habitação, os vários tipos de edificações, vias de transporte, acessibilidade, praças, estacionamentos e paisagismo, porque o arquiteto atua na geração de elementos construídos no espaço urbano.


sexta-feira, 20 de setembro de 2019

PENSAMENTO ECOSSISTÊMICO


Sistemas são totalidades integradas, cujas propriedades não podem ser reduzidas às de unidades menores. Todo e qualquer organismo é uma totalidade integrada e, portanto, um sistema vivo.
Os mesmos aspectos de totalidade são exibidos por sistemas sociais... e por ecossistemas, que consistem numa variedade de organismos e matéria inanimada em interação mútua.
(Fritjof Capra. O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Cultrix, 1993, p. 260).

Ecossistema é o nome dado a um conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente. 
A palavra ecossistema significa “sistema onde se vive”.

Um ecossistema é formado por dois componentes básicos: o biótico e o abiótico.
O sistema biótico refere-se aos seres vivos da comunidade, tais como plantas e animais.
O sistema abiótico são as partes sem vida do ambiente, como o solo, a atmosfera, a luz e a água. Esses fatores são fundamentais para a manutenção da vida, pois garantem a sobrevivência das espécies, atuando, inclusive, no metabolismo dos seres vivos, como é o caso da água.

Um ecossistema social é um conjunto dinâmico de relações, serviços mútuos e interdependências que maximiza a probabilidade de sobrevivência dos seus integrantes.

Pensamento ecossistêmico
É a percepção da realidade, onde se trabalha com a interdependência dos fenômenos físicos, biológicos, psicológicos, culturais, econômicos e político-institucionais.


Em vez de se concentrar nos elementos ou substâncias básicas, a abordagem sistêmica enfatiza princípios básicos de organização. O mundo é visto pela concepção sistêmica em termos de relações e interações.

Todos os sistemas naturais são abertos. Quanto mais evoluído, isto é, complexo e rico for um sistema, mais aberto ele será. Assim, o homem é o sistema mais aberto de todos, o mais dependente na independência.

Entende-se como ecossistema não só a natureza, mas também o ecossistema técnico-social, que se sobrepõe ao primeiro e o torna ainda mais complexo. O ecossistema social, ou ecossistema sociourbano, contempla um sentido mais rico. (MORIN, E Sociologia: a sociologia do micro-social ao macroplanetário. Portugal: Publicações Europa-América, 1984, p. 251)

Ecossistema sociourbano

O ecossistema sociourbano é a sociedade moderna considerada do ponto de vista ecológico, ou seja, do ponto de vista dos indivíduos, grupos, instituições  etc, que estão em relação de sistema aberto ao ecossistema.
Quanto mais evoluída for a sociedade, quer dizer, quanto maiores forem o número, o lugar, o papel dos artefatos, objetos produzidos pela e para a atividade industrial, maior é o caráter “técnico” do ecossistema social.

As características de um ecossistema sociourbano estão vinculadas à ideia de relações e interações no seio do aglomerado urbano. Assim, além do aspecto meramente populacional, nesse aglomerado interferem também as organizações e as instituições econômicas, políticas, culturais, sociais, os artefatos, as máquinas e produtos múltiplos, os grupos sociais e os indivíduos.

O ecossistema sociourbano compreende também elementos e sistemas vivos e não-vivos constitutivos do meio natural: clima, atmosfera, subsolo, microorganismos vegetais e animais; este ecossistema nutre-se energicamente dos alimentos extraídos do ecossistema natural (inclusive carvão, gás, água, derivados de petróleo). A maior parte destes elementos e destes alimentos são-lhe absolutamente vitais.

Características dos ecossistemas

Não são estáticos, eles são dinâmicos, compostas de processos de auto-organização.
Representam um equilíbrio e  seu balanceamento muda constantemente para se adaptar a um ambiente variável.

Metas de administração que envolvem a manutenção de algum estado fixo em um ecossistema, maximizando alguma função ou minimizando alguma outra função, sempre conduzirá a um desastre em algum ponto.

Se as atividades humanas mantiverem a integridade de auto-organização das entidades que nós chamamos vida, nós estaremos certos.
Nós temos uma escolha simples, ser os cuidadores da integridade ou desfazedores da integridade dos ecossistemas.

Este texto foi extraído e modificado de:
MILIOLI, Geraldo. O pensamento ecossistêmico para uma visão de sociedade e natureza e para o gerenciamento integrado de recursos. Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 15, p. 75-87, jan./jun. 2007. Editora UFPR.